Manchete do Estadão: "Brasil cai para última posição em ranking sobre prestígio do professor"

Em novembro saiu a notícia, o Brasil tinha caído para a última posição na classificação de prestígio dos professores perante a sociedade. Não foi a toa, uma série de ataques contra a Educação foram gestados nos últimos anos e novas ameaças são frequentes para o novo governo Bolsonaro.

Por trás desses ataques feitos pelo governo estão grandes empresas com objetivos nítidos: Rebaixar a qualidade do ensino público para, ou lucrar diretamente com suas escolas particulares, ou indiretamente com o barateamento ainda maior da força de trabalho.

Vejamos alguns desses ataques:

CORTE DE 50% NA VERBA DO PRÉ-SAL QUE IA PRA EDUCAÇÃO

Agora em novembro, os senadores cortaram pela metade uma das fontes de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, destinado a investimentos em saúde e educação. A proposta ainda precisa passar pela Câmara.

Manchete do jornal O Povo: "Senado aprova corte de 50% em fundo para Saúde e Educação"

CONGELAMENTO DE GASTOS

O governo Temer conseguiu congelar os investimentos em saúde e educação, entre outros gastos públicos, nos próximos 20 anos. Isso significa que até 2036 o orçamento dessas áreas terá apenas a correção da inflação. Ou seja, um verdadeiro desmonte da políticas públicas.

Veja como seria bem menor o dinheiro destinado nessas áreas se o congelamento já estivesse em vigor:

Gráficos mostram que se Congelamento dos Gastos aprovados tivessem válidos desde 2006, o governo investiria R$ 29,6 bi a menos na Educação em 2015

AUMENTO DO ENSINO A DISTÂNCIA

A Educação a Distância (EaD) é um dos motes do novo governo. Em um evento no dia 07/08, Bolsonaro disse que a EaD, para crianças a partir de seis anos, ajudaria a “baratear o ensino no Brasil”.

Estudos mostram que não há barateamento dos custos e não precisa ser nenhum especialista para saber que esse modelo não é superior à educação presencial. Introduzir a EaD na Educação brasileira só beneficia os membros da própria equipe do Bolsonaro. Paulos Guedes, por exemplo, é dono da Bozano Investimentos, que investe na Wide e QMágico (ambas plataformas de ensino online). Stavros Xanthopoylos, conselheiro de Bolsonaro e cotado para comandar a pasta, é um dos sócios da Kitutor Desenvolvimento de Tecnologia e diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância.

Charge do Latuff: Professora é catapultada para fora da sala

ESCOLA SEM PARTIDO

A recém-eleita deputada estadual em Santa Catarina, Ana Caroline Campagnolo (PSL), gerou repúdio dos professores ao pedir (logo após a vitória do Bolsonaro) que estudantes catarinenses filmassem os docentes dando aula. Um verdadeira ataque à profissão e à toda Educação. Não demorou nem um dia e os seus ex-alunos publicaram fotos dela própria dando aula com camisa de seu candidato.

Em Santos tivemos uma tentativa de Lei nos moldes “Escola Sem Partido”. A aberração jurídica foi proposta pelo vereador Banha, aprovada pelos vereadores e sancionada pelo prefeito. Mas, após pressão dos servidores, pais e alunos, a Procuradoria Geral do Estado ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade e a Lei teve seus efeitos suspensos.

Charge do Laerte: Homem com vestes de medieval grita "Vim para combater o mal!". Uma senho com livro na mão diz: "Rapaz, você precisa estudar um pouco". O homem mata a mulher dizendo: "MAL!"

BNCC

A Base Nacional Comum Curricular é um projeto do governo federal para todas as escolas brasileiras. Apenas as disciplinas de português e matemática serão obrigatórias, as demais serão condensadas na “área do conhecimento”. As demais disciplinas poderão eventualmente integrar as 1.800 horas de oferta da BNCC com carga horária bastante reduzida.

Charge do Angeli: Escola com cartaz 'Passo o ponto', cercada de comercio

O RESULTADO

O resultado de todas essas medidas é nítido: O investimento no ensino público diminui drasticamente, as escolas ficam sucateadas, os professores cada vez mais desvalorizados e os alunos com menos condições ainda de concorrer por emprego ou universidade em relação aos alunos da rede particular.

Mesmo sem Lei específica, o movimento “Escola Sem Partido” ganhou força com a vitória do Bolsonaro e os educadores sofrerão ainda mais com perseguições de pais, apenas por passar os conteúdos normais em sala de aula. Onde havia relação de confiança, agora o aluno se torna um vigilante para denunciar o professor, em uma época que já é difícil estabelecer autoridade no ambiente escolar.

Mas os professores não escolheram essa profissão à toa, são guerreiros que já enfrentam inúmeras dificuldades para uma verdadeira educação de qualidade. Continuaremos na lutar pelo ensino PÚBLICO de QUALIDADE que recuse o discurso de ódio!

Ilustração de 2 meninos olhando para a cidade