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Implantar coparticipação dos servidores na Capep como acontece na iniciativa privada, elevar a contribuição dos dependentes e mais velhos e rever o limitador de 30% no percentual máximo de descontos nos salários.

Estas foram algumas das “sugestões” que o presidente da Capep, Eustázio Pereira, trouxe em audiência pública sobre o tema, na última terça-feira (3), na Câmara.

Ao apresentar um estudo sobre a autarquia, feito sem a participação da categoria, Eustázio fez questão de omitir a dívida da Prefeitura, que desde junho de 2016 tem oscilado entre R$ 5 e 7 milhões, por conta do não repasse da parte patronal. Mas foi logo lembrado do rombo pelos servidores presentes no evento, que exigiram do presidente da Capep e do secretário adjunto de Finanças, Fernando Chagas, uma data definitiva para a quitação do calote.

Chagas respondeu de forma vaga, alegando que a perspectiva é de que talvez isso ocorra até o fim do ano. Isso se recursos extraordinários esperados pelo Governo realmente se concretizarem. Caso contrário, apenas em fevereiro o débito com os prestadores de serviços podem ser equilibrados.

Os representantes das instituições que fazem parte da rede credenciada, como Santa Casa de Santos, Hospital São Lucas e Instituto de Análises Clínicas, receberam a informação com muita apreensão. “Isso para nós é um sinal vermelho. Temos nossos compromissos, salários dos médicos, fornecedores, insumos para pagar. Não sei se suportaremos esperar até fevereiro. Certamente teremos problemas sérios”, avisou João Domingos Neto, tesoureiro da Santa Casa. Segundo ele, o valor que hoje a Capep deve para o hospital totaliza R$ 3,541 milhões, fora glosas em discussão.

Já a dívida para com o São Lucas é de R$ 1,656 milhão, segundo, Sérgio Melo, diretor administrativo e financeiro do hospital. “Nós nunca deixamos de atender os servidores e a pedido do governo não reajustamos os nossos serviços há dois anos, enquanto os custos da saúde são caros e aumentam muito. Há que haver bom senso. Estamos muito preocupados”, disse Melo.

Apesar do horário inviável para o comparecimento da maioria dos servidores, a audiência contou com a participação de várias aposentadas e aposentados. Eles fizeram questão de descrever as dificuldades que enfrentam diariamente para manter seus tratamentos na rede credenciada, fazer exames e agendar procedimentos médicos.

Os representantes do SINDSERV voltaram a pedir a saída de Eustázio por toda a intransigência e falta de transparência no episódio da Santa Casa e por ser ele apenas um instrumento a serviço dos interesses do Prefeito dentro da instituição. Também frisaram que não aceitarão as comparações incabíveis dos números da Capep com os de operadoras de planos privados, que visam lucro.

Sabemos que a atual crise na autarquia centenária é um dos muitos frutos perversos de um projeto inconsequente e irresponsável de governo calcado na destruição do serviço público. Projeto este que agora tenta fazer com que os servidores mais uma vez arquem com prejuízos que não geraram.

Para transformar a cidade em um canteiro de obras – hoje parado – e fazer caixa para bancar as terceirizações dos serviços públicos, o Governo arrochou os salários dos servidores, descontou os dias parados na greve, diminuiu sua parte nos aportes ao Iprev e continua sucateando as unidades. O desmantelamento da Capep para futuramente justificar a mudança da nossa assistência médica para uma empresa de saúde suplementar é mais uma armadilha em curso contra a categoria.

Os problemas da autarquia têm um culpado e ele é Paulo Alexandre Barbosa! Os servidores são as vítimas!

Por tudo isso, a Campanha pela Capep Saúde continuará com força total. Acompanhem as próximas atividades e somem esforços no movimento #ForaEustázio

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