Ilustração: Gráficos

Uma análise correta do que foi a greve servirá para melhor nos preparar para o próximos embates que com certeza virão, já que Paulo Alexandre anuncia aos quatro ventos que pretende atacar nossos direitos.

Porém, fazer um balanço sério de um movimento não é querer achar um culpado por tudo para sacrificá-lo. É examinar com cuidado todo o contexto se baseando com informações corretas. Alguns dados interessantes nos gráficos abaixo:

TOTAL SERVIDORES DE SANTOS EM PORCENTAGEM

grafico-quadro-prefeitura

Fonte: www.santos.sp.gov.br/cidadeaberta (abril de 2017)

PORCENTAGEM DO PRIMEIRO DIA DA GREVE (9 de março)

grafico-greve

Fonte: Livro de assinatura do sindicato

Fica nítido que a grande maioria dos grevistas eram da Educação. Nosso movimento conseguiu identificar isso já nesse primeiro dia, porém, mesmo destacando grupos para rodar as demais secretarias (muitas funcionando normalmente), não conseguiu convencer os colegas para aderirem à greve.

Nem mesmo a decisão judicial, que limitou em 20% a participação da Educação, sensibilizou os colegas sobre a importância de participar da luta coletiva. E isso não foi por falta de informação. Mesmo com a praça não mais tão cheia, servidores foram aos locais de trabalho explicar o que estava em jogo naquele momento.

Esse desequilíbrio não é um problema da secretaria A ou B, é um problema NOSSO, de toda a categoria. Precisamos convencer os colegas da enorme relevância de todos participarem das lutas coletivas.

4.241

é o número de servidores que fizeram pelo
menos um dia de greve entre os dias 9 e 25/03

Contudo, o terrorismo do governo com ameaças diárias foi o principal fator de desmobilização. Não conseguiram cumprir todas as ameaças (licença prêmio, inquérito administrativo, avaliação de desempenho, estágio probatório, classificação, tempo para remoção etc), mas conseguiram efetivar o desconto com o intuito de nunca mais ter greve em Santos. Como já demostramos matematicamente (veja aqui), o desconto (mesmo sendo um desfalque importante no orçamento dos servidores) é pouco perto do que perderíamos se tivéssemos abaixado a cabeça como fizemos nos 7 anos do governo Beto Mansur.

Essa é a principal lição que precisa ser guardada! O não pagamento dos dias parados não tem como ser maior do que o prejuízo financeiro ao longo dos anos de não receber o reajuste salarial.

DEVERÍAMOS TER DESCUMPRIDO A DETERMINAÇÃO JUDICIAL DOS 80/20%?

Charde Latuff: Justiça com olho desvendado e ao lado de Paulo Alexandre sorridente dá decisão favorável para ele

Alguns acham que o sindicato falhou ao recomendar para a assembleia seguir a decisão judicial. Esse teria sido o erro crucial para que a greve não fosse “vitoriosa”.

Respeitamos a opinião desses colegas, é um grupo da categoria que já tem a percepção que a Justiça tem lado (e não é o dos trabalhadores). Porém, para além desse pequeno grupo, é preciso ver a categoria como um todo e sua realidade.

E o todo se expressou bem antes da votação que por maioria absoluta resolveu acatar o que impôs o judiciário. O terrorismo do governo já estava causando receio generalizado na categoria. Não somente de ter os dias descontados, mas principalmente das faltas serem consideradas injustificadas o que geraria inquérito administrativo, perda de licença prêmio, queda na avaliação de desempenho, na avaliação de estágio probatório e na classificação dos professores, afetaria também a contagem de tempo para remoção, aposentadoria etc.

TOTAL DE SERVIDORES NA GREVE

TOTAL DE SERVIDORES NA GREVE

Quedas acentuadas conforme ameaças do governo

Caso a greve fosse considerado ilegal corríamos o risco de ter todos esses prejuízos se rasgássemos a decisão judicial. Mesmo com a greve legal o prefeito quis se vingar e está descontando os dias parados, com ela ilegal estaríamos colocando o pescoço na bandeja do governo.

Sim, um dia teremos que passar essa barreira da legalidade para avançar, já que cada vez mais a Justiça vem cerceando o direito à greve. Porém, sem a categoria não adianta ir em frente, sozinhos, só para ter razão.

A confiança da categoria vem exatamente do fato do sindicato não propor passos maiores que as pernas.

A categoria deu importantes passos durante esse processo de mobilização. Muitos tiveram a primeira experiência em movimentos e avançaram, e muito. Um imenso aprendizado que não poderia ser jogado no vazio.

VAMOS CONVERSAR?

O último boletim do SINDSERV foi um primeiro esforço de balanço de nossa greve histórica (leia aqui). Além do balanço geral, precisamos aprofundar alguns temas importantes para melhor compreender como funciona nossa sociedade.

Venha discutir conosco:

07/06 (quarta-feira): “O papel dos governos nas lutas dos servidores”
14/06 (quarta-feira): “O papel dos vereadores nas lutas dos servidores”
21/06 (quarta-feira): “O papel do judiciário nas lutas dos servidores”
28/06 (quarta-feira): “O papel das polícias nas lutas dos servidores”

Sempre às 18h30 na sede do sindicato (Av. Campos Sales, 106, Vila Nova)