A Florestan Fernandes é uma das escolas onde houve falta de docentes (Foto: Luigi Bongiovanni/AT)

Sindserv acusa a Prefeitura de não promover professores adjuntos

Por TATIANE CALIXTO (jornal A Tribuna)
11/10/2017 – 10:40 – Atualizado em 11/10/2017 – 12:24

 

Nas últimas semanas, A Tribuna publicou matérias com a reclamação de pais sobre a falta de professores na rede municipal de Santos. O problema foi apontado, por exemplo, nas unidades Olavo Bilac, no Marapé; Dom Pedro II, na Ponta da Praia, e Florestan Fernandes, no Embaré. Para o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindserv), a questão não é pontual e tende a ficar ainda mais complicada.

Isso porque, segundo o diretor do Sindserv, Cassio Canhoto, durante uma reunião com representantes da Prefeitura foi informado que apenas nove professores adjuntos serão aprovados no concurso interno de promoção, que tem vigência até no próximo mês.

Canhoto argumenta que a promoção de adjuntos a professor de Educação Básica (PEB) é uma forma não só de ajudar a resolver a falta de professores dentro das salas de aula, mas também de fazer girar toda a engrenagem dentro da carreira do Magistério na Cidade, completando também cargos vagos nas equipes técnicas.

Ele explica que hoje o professor ingressa na rede como adjunto. Após três anos, ele pode participar do concurso interno de promoção para PEB I e II. Depois de mais três anos, a promoção pode ser para cargos da equipe técnica de especialistas I (coordenadores, assistente de direção e orientador) e especialistas II (diretor) e, depois, especialista III (supervisor).

“Se a Prefeitura não promove os adjuntos, engessa toda a rede. No início do ano, verificamos a falta de diretores e especialistas I. Mas tem professor que pede exoneração, aposenta-se ou, infelizmente, falece. E como fica a situação?”, questiona o dirigente sindical.

Caos

Para uma professora, que prefere o anonimato por medo de represálias, a resposta é: caos. Ela conta que tem dois registros da Prefeitura de Santos: um como adjunta de Educação Infantil e o mais antigo como adjunta da Fundamental I, há oito anos.

“Entrei em 2009 como professora adjunta do Ensino Fundamental I. Desde 2010 pego carga com 200 horas (a de adjunto é 150 horas). Na escola onde estou, todo ano tem mais de 16 salas vagas, ou seja, salas sem professor. O pior é que, sem promoção, tudo o que ganho tem como base o salário de 105 horas, porém os descontos são em cima das 200 horas”.

Em um outro caso, uma servidora, que também não quer se identificar, conta que é registrada em uma creche como Educadora de Desenvolvimento Infantil (EDI), mas que há dias que precisa substituir professores em quatro, cinco classes. Na Educação Infantil, o limite de estudantes por sala deve ser proporcional ao número de professores atuando.

“Por isso, muitas vezes, as salas são divididas diariamente para que não atinjam o número necessário para o segundo professor porque não tem. São tantas coisas que no final a gente só consegue cuidar das crianças, a questão pedagógica, do desenvolvimento, não conseguimos fazer”, desabafa.

Manifesto

Segundo o Sindserv, na quarta-feira, os docentes estarão reunidos em uma manifestação. “Pelos nossos cálculos, hoje, há um deficit de 250 cargos entre professores e equipe técnica. E a forma como a Prefeitura está agindo deixa óbvio que é um sistema de desqualificação, um desmonte da educação municipal”, afirma Canhoto.